domingo, 7 de agosto de 2011

A LUZ E A ALMA

Mosteiro da Flor da Rosa


Já o tenho afirmado muitas vezes que, embora minhoto, sinto um certo encanto pelo Alentejo; pelo seu calor intenso, pelo seu escaldante sol, pelas suas planícies fulvas e extensas, pelos seus solitários chaparros, pela sua emblemática gastronomia, pelo seu modorrento e lânguido cante. Por lá me acomodei muitas vezes e este ano, para não fugir á regra, rumei até á aldeia da Flor da Rosa, nas terras do Crato, famosa pelo seu vetusto mosteiro do qual foi  prior o pai do santo condestável D. Nuno Álvares Pereira e que nele jaz sepultado em histórico túmulo. Não é propriamente uma localidade sita na parte mais profunda da província, mas pouca diferença dela faz. 
É sempre bom experimentar o calor dum familiar, dum amigo, duma pessoa amada, dum seguidor, porque nos faz sentir animados e com força para enfrentar as agruras da vida: daí a importância que representa para o Benfica o incitamento e apoio dos seus sócios e simpatizantes, sobretudo nas horas mais difíceis e nos momentos em que se vê acossado pelos ataques soezes dos malfeitores e ladrões.
Ontem, já quase ao fim do dia, fui até um café para tomar uma bebida fresca e dei com ele muito cheio de pessoas que em frente dum televisor assistiam á transmissão da Eusébio Cup. A maioria da assistência era composta por gente simples, gente calejada e vivida, mais velhos que novos, mas que tinha em comum um grande fervor e ansiedade benfiquistas, manifestando-se em cada jogada e peripécia com ademanes e gestos de frustração ou alegria. Gosto muito de falar com as pessoas da terra onde me encontro e, no intervalo do jogo, com tudo mais sossegado, dirigi-me a alguns deles e perguntei-lhes:
—Amigos, vejo por vocês que por aqui há muitos benfiquistas.
Quase me não deixaram acabar porque logo um deles me atalhou de modo rápido e peremptório:
—Somos todos do Benfica, o maior de Portugal. 
E o compadre logo acrescentou:
—Mas o amigo não é de cá.
—Não, sou de lá de cima do norte.
Pareceu-me que esta resposta os deixou um tanto tristes e desiludidos.
—Ah! Então deve ser portista, pois dizem que nessas bandas todos são adeptos do tal Clube.
—Alto aí, atalhei; vocês é que confundem norte com Porto, mas não é nada disso. Embora a cidade do Porto fique no norte ela, de modo algum, representa o norte e garanto-vos que por toda essa região nortenha se vêem tantos benfiquistas como cá por baixo, sendo eu próprio benfiquista desde pequeno e agora também sócio. 
Foi uma enorme satisfação para todos e, terminado o desafio com a nossa vitória, deixei-me ficar muito tempo no meio daquela gente, a conversar, a confraternizar, a partilhar da sua alegria pela vitória, sobretudo e porque me dá um prazer enorme, a denegrir e maldizer os corruptos do Freixo e seu asqueroso mentor. 
Nesse momento e ali mesmo, pude apreciar então a verdadeira alma do Benfica, a beleza e genuinidade duma grande paixão, o brilho duma luz sem mácula, a simplicidade dum amor sincero, a fé convicta numa Instituição que se difunde por todo o País e por todo o Mundo. Não existe mais nenhum outro Clube que gere tal misticismo, tão cega e altruísta fé nos seus seguidores. Ontem, foi-me dado perceber e experimentar, de forma emocionada, o que é a alma do Benfica, muito mais que um Grupo de futebol, muito mais que uma Entidade desportiva; faz parte de um povo inteiro e como esse povo compõe a Nação, entendo que a sua alma é maior que a Nação, por isso, o Benfica é, com toda a propriedade e sem exagero,  maior que Portugal.


3 comentários:

FireHead disse...

Bonito texto que reflecte a realidade. É urgente que o Benfica regresse o mais rapidamente possível à glória. O povo afecto a ele merece e exige.

RIVUS disse...

Caro FireHead: também acho que o Benfica deverá voltar á glória para alegria do seu bom e generoso Povo. Se ainda não voltou é porque lhe armadilharam o caminho, mas ... entendo que já faltou mais!

Dylan disse...

Comparável à beleza do Benfica só a beleza desse Mosteiro!:)